quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Martin Luther King - Biografia

Martin Luther King nasceu em 15 de janeiro de 1929 em Atlanta na Georgia, filho primogênito de uma família de negros norte-americanos de classe média. Seu pai era pastor batista e sua mãe era professora.


Com 19 anos de idade Luther King se tornou pastor batista e mais tarde se formou teólogo no Seminário de Crozer. Também fez pós-graduação na universidade de Boston, onde conheceu Coretta Scott, uma estudante de música com quem se casou.

Em seus estudos se dedicou aos temas de filosofia de protesto não violento, inspirando-se nas idéias do indu Mohandas K. Gandhi.

Em 1954 tornou-se pastor da igreja batista de Montgomery, Alabama. Em 1955, houve um boicote ao transporte da cidade como forma de protesto a um ato discriminatório a uma passageira negra, Luther King como presidente da Associação de Melhoramento de Montgomery, organizou o movimento, que durou um ano, King teve sua casa bombardeada. Foi assim que ele iniciou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.

Em 1957 Luther King ajuda a fundar a Conferência da Liderança Cristã no Sul (SCLC), uma organização de igrejas e sacerdotes negros. King tornou-se o líder da organização, que tinha como objetivo acabar com as leis de segregação por meio de manifestações e boicotes pacíficos. Vai a Índia em 1959 estudar mais sobre as formas de protesto pacífico de Gandhi.

No início da década de 1960, King liderou uma série de protestos em diversas idades norte-americanas. Ele organizou manifestações para protestar contra a segregação racial em hotéis, restaurantes e outros lugares públicos. Durante uma manifestação, King foi preso, tendo sido acusado de causar desordem pública.

Em 1963 liderou um movimento massivo, "A Marcha para Washington", pelos direitos civis no Alabama, organizando campanhas por eleitores negros, foi um protesto que contou com a participação de mais de 200.000 pessoas que se manifestaram em prol dos direitos civis de todos os cidadãos dos Estados Unidos. A não-violência tornou-se sua maneira de demonstrar resistência. Foi novamente preso diversas vezes. Neste mesmo ano liderou a histórica passeata em Washington onde proferiu seu famoso discurso "I have a dream" ("Eu tenho um sonho"). Em 1964 foi premiado com o Nobel da Paz.

Os movimentos continuaram, em 1965 ele liderou uma nova marcha. Uma das conseqüências dessa marcha foi a aprovação da Lei dos Direitos de Voto de 1965 que abolia o uso de exames que visavam impedir a população negra de votar.

Em 1967 King uniu-se ao Movimento pela Paz no Vietnam, o que causou um impacto negativo entre os negros. Outros líderes negros não concordaram com esta mudança de prioridades dos direitos civis para o movimento pela paz.

Em 4 de abril de 1968 King foi baleado e morto em Memphis, Tenessee, por um branco que foi preso e condenado a 99 anos de prisão.

Em 1983, a terceira segunda-feira do mês de janeiro foi decretada feriado nacional em homenagem ao aniversário de Martin Luther King Jr.'s.


Frases de Martin Luther King:

“O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício.”


“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”

“Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios.”

“É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.
Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver.”

“É errôneo servir-se de meios imorais para alcançar objetivos morais.”

“Amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo.”

“Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.”

“O que vale não é o quanto se vive; mas como se vive.”

“Saiba que seu destino é traçado pelos seus próprios pensamentos, e não por alguma força que venha de fora. O seu pensamento é a planta concebida por um arquiteto para construir um edifício denominado prosperidade. Você deve tornar o seu pensamento mais elevado, mais belo e mais próspero.”

“Cada dia é o dia do julgamento, e nós, com nossos atos e nossas palavras, com nosso silêncio e nossa voz, vamos escrevendo continuamente o livro da vida. A luz veio ao mundo e cada um de nós deve decidir se quer caminhar na luz do altruísmo construtivo ou nas trevas do egoísmo. Portanto, a mais urgente pergunta a ser feita nesta vida é: \'O que fiz hoje pelos outros?”

 
Fonte: http://www.lutherking.hpgvip..ig.com.br/

Cor e segregação no Brasil

Para discutirmos sobre quem são os brasileiros excluídos racialmente, podemos recorrer a um importante estudo sobre as relações raciais, de autoria do professor Oracy Nogueira, que apresenta como contribuição fundamental a definição de critérios classificatórios baseados em conceitos elaborados a partir da diferenciação das formas de discriminação racial, tendo como referencial as manifestações de preconceito e de discriminação existentes no Brasil e nos Estados Unidos em relação aos indivíduos considerados negros.


Para o professor Oracy Nogueira, as duas sociedades “...constituem exemplos de dois tipos de “situações raciais”: um em que o preconceito racial é manifesto e insofismável e outro em que o próprio reconhecimento do preconceito tem dado margem a uma controvérsia difícil de superar.” (Nogueira, 1979: 77)

O estudo de Oracy Nogueira foi elaborado para apresentação no XXXI Congresso Internacional de Americanistas, ocorrido em São Paulo entre os dias 23 e 30 de agosto de 1954. Após várias versões, o estudo foi publicado como livro em 1979, com o título Tanto preto quanto branco – estudos de relações raciais.

Ao elaborar o seu estudo, o autor diferencia em duas modalidades os pressupostos valorativos que orientam as atitudes discriminatórias, como podemos observar a seguir:

“Considera-se como preconceito racial uma disposição (ou atitude) desfavorável, culturalmente condicionada, em relação aos membros de uma população, aos quais se têm como estigmatizados, seja devido à aparência, seja devido a toda ou parte da ascendência étnica que se lhes atribui ou reconhece. Quando o preconceito de raça se exerce em relação à aparência, isto é, quando toma por pretexto para as suas manifestações, os traços físicos do indivíduo, a fisionomia, os gestos, os sotaques, diz-se que é de marca; quando basta a suposição de que o indivíduo descende de certo grupo étnico, para que sofra as conseqüências do preconceito, diz-se que é de origem.” (Nogueira, 1979: 79).

No uso de tal caracterização Nogueira chega à conclusão que o preconceito e as atitudes discriminatórias, nas formas em que se apresentam no Brasil, podem ser tipificados como sendo um “preconceito de marca”, em contraposição às situações correlatas que ocorrem nos Estados Unidos às quais o estudioso reserva a designação de “preconceito de origem”. (Nogueira, 1979: 78).

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A preocupação em demarcar linhas de origem étnica e ou racial no Brasil tem variado de acordo com as necessidades políticas, sociais e econômicas dos grupos que disputam a hegemonia na sociedade brasileira. Decorre disso que a identificação da origem e da cor da população não aparece em vários recenseamentos realizados ao longo da nossa História.

A partir do final do Século XIX, em decorrência dos processos abolicionista e de proclamação da República, passa a ocorrer entre as elites dominantes em nosso país a necessidade de formulação de uma identidade nacional. O projeto de construção de uma nação, portanto, torna necessária a discussão das questões relativas à cor e à raça dos brasileiros, como já aparecem nos censos de 1872 e de 1890, por exemplo.

Um século depois, no censo de 1970, estes itens foram excluídos pelas autoridades. Época auge do Regime Militar, na década de 1970 manifesta-se a preocupação das instâncias de poder em afirmar a inexistência de racismo em nosso país, como já foi mais do que demonstrado pela vasta bibliografia a respeito do chamado “mito da democracia racial” no Brasil.

Durante o intervalo de tempo que vai da Abolição ao período de ditadura militar pós-1964, os aspectos ligados a cor e raça foram estrategicamente suprimidos ou não, de acordo ou com as políticas governamentais vigentes.

As discussões atuais sobre a implementação de ações afirmativas revigoraram a controvérsia sobre cor e classificação racial dos brasileiros. A proposta de cotas para estudantes negros em universidades públicas trouxe de volta a discussão sobre a delimitação de raça, origem e identificação étnica, ou seja, colocou em pauta as seguintes questões: Como determinar quem são os herdeiros da segregação racial conseqüente da escravidão e do racismo contra negros em nosso país? Como determinar quem é negro ou quem é afro-descendente em um país miscigenado e em que a própria população se auto-define através de quase duzentas cores, como demonstra o resultado de uma pesquisa realizada pelo IBGE e divulgada em 2000?

As delimitações identitárias são flexíveis e flutuantes no decorrer de contextos históricos sociais. Em vários segmentos da sociedade, tanto nos chamados “novos movimentos sociais” quanto nos setores governamentais, busca-se uma definição mais precisa na identificação dos afro-descendentes brasileiros, com o objetivo de implementar políticas públicas de inclusão social, pois vivemos em um momento de reivindicações organizadas e de busca de alternativas que levem a diminuir as desigualdades sociais, inclusive as geradas pelo racismo.

Neste contexto de incertezas e de busca de definição de uma identidade negra, podemos recorrer novamente a contribuição de Oracy Nogueira, que indica que o preconceito de marca é predominante em nosso país, onde as nuanças cromáticas da pele podem contribuir para um futuro mais ou menos promissor nos moldes de um sistema sócio-econômico competitivo e excludente. Embora, “a concepção de branco e não-branco, varie, no Brasil, em função do grau de mestiçagem, de indivíduo para indivíduo, de classe para classe, de região para região” (Nogueira, 1979: 80), o clássico anúncio do requisito de “boa aparência” nos classificados de emprego, esconde o objetivo maior: a rejeição aos negros, definidos de acordo com a tonalidade de sua cor, textura de cabelo. Quanto mais distante do padrão branco europeu de aparência, menores são as oportunidades no sistema educacional e no mercado de trabalho como também indicam inúmeras pesquisas sociais a esse respeito.

Considerando-se as definições de preconceito de marca e de preconceito de origem, segundo Nogueira, “...onde o preconceito é de marca, a probabilidade de ascensão social está na razão inversa da intensidade das marcas de que o indivíduo é portador, ficando o preconceito de raça disfarçado sob o de classe, com o qual tende a coincidir...” (Nogueira, 1976: 90)

Para finalizar, se em nossa sociedade o preconceito e a exclusão racial estão mais ligados à aparência do que à origem biológica e ou étnica, podemos utilizar como referência nas práticas de políticas afirmativas para afro-descendentes o conceito de “preconceito de marca” cruzando-o ao de classe social. Afinal quando se é mais escuro e mais pobre, sabe-se que a tendência é a de ser mais e mais excluído do modelo socio-econômico estabelecido. Esta idéia pode parecer simplista, porém, nós negros sabemos exatamente como as diferenças cromáticas da nossa pele influenciam em uma maior ou menor aceitação social. Afinal mudança de classe social é até possível, mas a cor da pele, felizmente não é.

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Referências


MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil. Petrópolis, Vozes, 1999.

NOGUEIRA, Oracy. Tanto preto quanto branco: estudos de relações raciais. São Paulo, T. A . Queiroz, 1979.

SCHWARTZMAN, Simon. “Fora de foco: diversidade e identidades étnicas no Brasil”. In: Novos Estudos - nº55. São Paulo, CEBRAP, novembro de 1999.

ROSÂNGELA ROSA PRAXEDES

 
Fonte: http://www.espacoacademico.com.br/

Caminhos para a leitura

A especialista em literatura infanto-juvenil da Universidade Autônoma de Barcelona, Teresa Colomer, em passagem por São Paulo na última semana, contagiou e instigou uma platéia composta por cerca de 600 educadores a motivar a leitura em suas salas de aula.


Ao participar do Seminário “Prazer em Ler”, promovido pelo Instituto C&A em parceria com a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), Teresa destacou que não há uma receita básica para a formação de leitores nas escolas públicas, mas sugeriu alguns possíveis caminhos para que os educadores, e até mesmo os pais, possam fazer com que o livro se torne um objeto atraente para crianças e adolescentes.

Na ocasião, a especialista também lançou a versão traduzida de seu livro Andar Entre Livros. Uma Leitura Literária na Escola”, que discute caminhos para a promoção da leitura literária nas escolas.

Leia a seguir trechos da entrevista concedida por Teresa ao JT.

A senhora afirma que não há uma receita básica para despertar o prazer em ler nas crianças. Mas quais seriam os possíveis caminhos a serem seguidos pelos professores?

Cada professor, em cada contexto, tem de buscar as próprias soluções. A leitura pode ser diária ou não. Uma hora semanal na biblioteca já é uma atividade respeitável se combinada com pequenas ações de leitura durante a semana.

O certo é que a escola foi inventada para ensinar a ler e escrever. Se as crianças não lêem ou escrevem nela é como se quiséssemos nadar em um lugar sem piscina.

O que é melhor: ler muitos livros ou ler pouco, mas ler bem?

Acredito que nesse sentido há um monte de equívocos. Um deles é pensar que o importante é que os jovens leiam qualquer coisa, desde que leiam. Isso é importante em alguns aspectos, como aquisição técnica da leitura ou de construção de sua imagem como leitor. Mas se só se lêem livros fáceis ou de baixa qualidade, o jovem pode se manter assim para sempre.

Outro erro é pensar que é melhor ler pouco e bem. Sabemos que para criar o hábito é necessário ter uma certa quantidade de leitura. Porque, além disso, só se aprecia o que é de boa qualidade ao comparar a obra lida com um horizonte construído por meio de muitos livros que mostram o que podemos esperar da literatura.

Mais um erro é pensar que as crianças de 8 ou 9 anos não precisam mais de ajuda para ler. Esse é um momento delicado, porque passamos a exigir que eles leiam. Para as crianças novas, que ainda não lêem tão bem, são oferecidos livros mais simples. Mas é necessário ter livros curtos e fáceis de ler para os oferecer, em caso de dificuldades ,para os alunos mais velhos.

Outro equívoco é pensar que a escola tem a mesma missão que a biblioteca pública na promoção da leitura e que tem que repartir responsabilidades prioritárias. A escola deve ensinar a ler, ensinar o que fazer para poder ler um texto que inicialmente parece difícil, ensinar que um texto diz coisas nas entrelinhas, etc. A biblioteca não faz nada disso e pode se dedicar espontaneamente à promover a leitura livre.

Em sua palestra você citou o desenvolvimento de uma bibliografia coletiva feita por uma classe de alunos que apresentavam problemas de relacionamento. Eles se dividiram em grupo e cada um escreveu capítulos sobre a trajetória da turma. Como se deu o projeto?

Esse projeto se destaca por provar que se pode educar literariamente (neste caso a escrita) de forma associada com outras atividades e objetivos educativos e sem instrumentalizar a literatura, já que nesse projeto o trabalho literário era muito consistente. A elaboração literária da experiência do grupo contribuiu para a melhoria das relações, não somente porque eles refletiram sobre os conflitos, mas sim porque passaram a trabalhar em algo comum que os unia. Todos queriam que a história da classe ficasse muito bem escrita e tivesse lugar em um livro que eles levariam como recordação e que ficaria na biblioteca da escola.

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Jornal da Tarde

Aluno lê 1,7 livro ao ano por vontade própria

Os estudantes brasileiros lêem 7,2 livros por ano, mas 5,5 deles são didáticos ou indicados pela escola. Apenas 1,7 livro é lido por vontade e escolha própria. Esses são alguns dos resultados da pesquisa Retratos da Leitura que o Instituto Pró-Livro divulga hoje em Brasília, obtidos com exclusividade pelo Estado. Foi a primeira vez que os hábitos de leitura dos alunos de todas as idades foram analisados no País.


O resultado condiz com o mau desempenho dos alunos brasileiros em leitura em avaliações internacionais, como o Pisa. No último exame, feito em 2006, mais de 50% ficaram nos mais baixos níveis de compreensão e interpretação de textos.

A quantidade de livros aumenta conforme a classe social, a escolaridade e a região onde vivem. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, por exemplo, são 5,3 livros por ano, sem contar os didáticos. O índice é próximo dos registrados em outros países, como Espanha (5 livros por ano) ou Argentina (5,8). Na França, são mais de 7. Já na Região Norte do Brasil, praticamente só se lê o que a escola pede.

Especialistas são unânimes em salientar a importância do livro didático para incentivar a leitura entre estudantes. Mas acreditam que menos de dois livros por ano é uma média baixa. Mesmo com essa média baixa, os estudantes ainda lêem mais do que a população em geral, cujos dados serão divulgados hoje.

“Um bom trecho literário num livro didático leva o aluno a procurar o livro todo, a buscar o autor”, diz a educadora e especialista em leitura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maria Antonieta Cunha.

Para o coordenador da pesquisa, Galeno Amorim, isso mostra a importância dos programas de distribuição de livros didáticos do governo, que existem desde os anos 90. O Ministério da Educação compra exemplares - didáticos e de literatura, para as bibliotecas - para todas as escolas do País.

Apesar disso, 46% dos estudantes do País dizem não freqüentar bibliotecas. “Muitas vezes as escolas têm os acervos enviados pelo governo, mas não montam a biblioteca por falta de funcionário, de espaço. Existe também essa dificuldade de acesso físico ao livro”, completa a pesquisadora do Instituto Fernand Braudel, Patrícia Guedes, que coordena um programa que estimula a leitura nas escolas públicas.

Ela conta que, muitas vezes, o estudante afirma não gostar de ler “porque não teve alguém que despertasse essa paixão nele”. “Não há políticas públicas nesse sentido, só práticas isoladas de alguns professores”, afirma. Na pesquisa, 17% afirmaram não gostar de ler.

TV, música, sair com amigos e descansar são itens que vêm antes da leitura na preferência dos estudantes para ocupar o tempo livre. “Eles não percebem que o livro, assim como a TV e o cinema, também relaxa. A leitura é vista como uma obrigação”, diz Maria Antonieta.

As gêmeas Camila e Bianca Silva de Moura, de 9 anos, são exemplos de que há exceções. “Ler é muito mais legal do que ver TV, do que mexer no computador”, diz Bianca, que contabiliza “uns 50 livros” lidos desde que foi alfabetizada.

As duas moram no Itaim Paulista, estudam em escola pública e seus pais nem sequer terminaram o ensino médio. A mãe, Laura, sempre incentivou a leitura, trocando livros com os vizinhos e emprestando exemplares da escola. Nesse ponto, a família Silva entra nas estatísticas: 62% dos estudantes dizem que a mãe é uma das pessoas que mais os influenciam a ler.

“O último livro que li foi na 5ª série”, diz o estudante do ensino médio Leonardo Matsumura, de 16 anos. Ele conta que, quando os professores solicitam a leitura de um livro, ele procura resumos na internet. Na pesquisa, 8% dos estudantes dizem ler com freqüência na internet.

O Instituto Pró-Livro é uma entidade fundada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros). “Os índices vêm melhorando, mas ainda sã

http://txt.estado.com.br/editorias/2008/05/28/ger-1.93.7.20080528.12.1.xml

Jornal O Estado de São Paulo

Mulher lê mais que homem, aponta pesquisa nacional

As mulheres lêem mais que os homens, diz a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que será divulgada hoje, em Brasília.


O estudo, elaborado pelo Instituto Pró-Livro, mostra que população está acostumada a dedicar muito pouco --ou quase nenhum-- tempo aos livros. Do total dos leitores, 55% são do sexo feminino, público maior em quase todos os gêneros da literatura -os homens lêem mais apenas sobre história, política e ciências sociais.

Segundo a pesquisa, a Bíblia é o livro mais lido pela população brasileira --43 milhões de pessoas já a leram, dos quais 45% afirmaram fazê-lo com freqüência.

O segundo colocado é o livro "O Sítio do Picapau Amarelo", de Monteiro Lobato, apontado como o escritor mais lido no Brasil. A lista dos escritores brasileiros mais lidos inclui ainda, pela ordem, além de Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u406123.shtml

Folhaonline

Faxineira monta biblioteca em comunidade carente de SP

A faxineira e lavadeira Deusa Maria dos Santos, de 43 anos, que cursou até o ensino médio e tem curso técnico de secretariado, montou em sua própria casa uma biblioteca para crianças e adolescentes do bairro do Areião, no Guarujá (litoral sul de São Paulo).


Bem perto das mansões do Jardim Virgínia, na praia da Enseada, fica a comunidade carente, onde vivem cerca de 2.200 famílias. Deusa mora lá há 38 anos, desde quando o Areião era considerado favela e não tinha saneamento básico. "Comecei a montar a biblioteca quando a Karina (filha mais velha, de 21 anos) entrou na escola. Eu já gostava de ler, daí ia tirando cópia, guardando e comprando em sebos. Na verdade, as pessoas são muito generosas comigo", diz. "O que eu tenho sorte de ganhar livro, não está escrito", afirma.

Os freqüentadores da biblioteca do Areião não têm data para devolução e podem levar quantos livros quiserem por vez. Deusa apenas anota na primeira página a data da retirada, assim como um breve relato de como o exemplar entrou para o acervo: data de chegada, por quem foi doado ou se foi comprado. Há até um carimbo de identificação da biblioteca.

Mesmo com biblioteca funcionando, Deusa deseja ter mais espaço para guardar os livros e poder desenvolver atividades de recreação com as crianças, principalmente as voltadas para incentivar a leitura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL645694-5598,00.html

Agência Estado

Garota de 12 anos lê 256 livros em um ano

A vontade de ler nasceu com as primeiras fábulas: Chapeuzinho Vermelho, Pinóquio, Branca de Neve e tantas outras. Tainá Alves dos Santos conhecia os enredos. A graça, agora, foi decifrar as letras escritas e reviver as aventuras. Do mundo mágico de fadas, bruxas e princesas, enveredou por histórias de seu universo. Aos poucos, a leitura entrou na vida da garota. Enfeitiçada pelo mundo dos livros, passou a ler o que estivesse ao alcance das suas mãos. Seleciona a obra pelo título e resumo. Se lhe agrada, seus olhos vão da primeira à última linha. Nenhuma fica abandonada pelo caminho. Tendo tempo livre, está com um livro nas mãos. “E assim vou lendo, lendo, lendo e nem vejo o tempo passar”, diz Tainá, sem saber precisar o momento em que se tornou cativa.


Somente este ano, leu 256 livros. O mais recente é a Marca de uma lágrima, de Pedro Bandeira. Dá a impressão de que ficou surpresa com ela própria e nem imaginava que fosse capaz de ler tanto, comenta Maria Helena Andrade, sua professora de Português da Escola Estadual Jardim Imperial de Catanduva, onde cursa a 6ª série.

Chaveirinho – Como estuda à tarde, lê pela manhã depois de ajudar a mãe (que trabalha numa fábrica de plásticos) nos afazeres domésticos. Para isso, acorda bem cedinho, quando o pai sai para o trabalho de limpeza de piscinas. Na volta da escola, primeiro faz as “lições” e depois a leitura, recomendação dos pais que a incentivam. Por prestar atenção às aulas e fazer anotações, “não preciso estudar tanto”, afirma Tainá, que tem apenas 12 anos de idade.

No intervalo entre as aulas não é raro vê-la no pátio, sentada, com um livro sobre as pernas ou na biblioteca – que dispõe de acervo de três mil exemplares, conta a diretora do colégio, Veranice Aparecida More Zuri. Fala com desenvoltura dos autores de suas publicações prediletas: Anna Flora, Ana Maria Machado, Monteiro Lobato, Ruth Rocha. Por ser a menor da classe, seus colegas a apelidaram de chaveirinho, revela Maria Helena. “É boa aluna e todos gostam muito dela. É uma menina carismática, conversa com todos e não briga com ninguém. Ela encanta os colegas com o seu jeitinho”. Por isso, o comportamento deles em relação à garota não mudou depois que ficou conhecida pela façanha, garante a professora. Tainá diz perceber que as pessoas olham para ela na escola e na rua, mas se sente bem pelo reconhecimento.

18 mil alunos envolvidos no projeto
Sua relação com os livros começou com a iniciativa de incentivo à leitura (Projeto Centopéia), criado pela Diretoria de Ensino de Catanduva, da Secretaria Estadual de Educação. Antes, lia pouco. “No ano passado, li apenas 12 exemplares”. Quando era pequena, na creche, gostava mesmo era “de brincar o tempo todo”. A diretora explica que a missão do programa era fazer o aluno ler pelo menos dez livros, desde o início até o fim do ano letivo. “Ficamos surpresos com o resultado, principalmente com a Tainá”. A cada leitura, o aluno faz um resumo, entrega para o professor e recebe uma bolinha de papel representando uma parte do corpo de uma centopéia. Tainá foi uma das primeiras a pegar livros para ler, lembra a professora de Português.

Hoje, sua centopéia (com 256 patas) dá voltas e ocupa parte da sala dos professores. Para atestar a leitura, o estudante entrega resumo da história, citando personagens centrais, característica do livro (romance, suspense, aventura) e local do enredo. Tainá tem dois cadernos repletos de resumos dos livros lidos. Quando fica em dúvida sobre um título ou nome de autor, recorre a eles. Quanto aos personagens e enredo, garante lembrar com clareza. “Eles ficam na memória\".

No resumo de O mistério da fábrica de livros, de Pedro Bandeira, classifica o livro como aventura, mistério e amor e escreve que a história se passa no bosque e na fábrica de papel.

Assim a garota começa o resumo: “O Adriano e a Laura eram namorados, e um dia Adriano gravou o nome dos dois numa árvore. No outro dia, Laura vê Adriano com outra menina, ela foi corren

http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=100703

Agência Imprensa Oficial


P.S.: Essa garota é demais. Que bom seria se todos os alunos se interessassem pela leitura e quando fosse pegar livro emprestado lessem mesmo. Que exemplo.